Óleo de Palma - O ingrediente por trás de grandes desastres | É Coisa Bio wilmar, óleo de palma, desmatamento zero, indonésia, pressão, greenpeace, floresta, Nestlé

Óleo de Palma - O ingrediente por trás de grandes desastres

Publicado: 04/11/2016


    O óleo de palma é o óleo mais barato do mundo e está em quase tudo que você consome. Aqui no Brasil chamamos de óleo de dendê. O que muitas pessoas não sabem é o que está por trás da produção desta matéria prima usada para fazer desde cosméticos, alimentos e até combustíveis.

Há alguns anos, entre 2010 e 2014, tivemos uma onda falando sobre a origem do óleo de palma aonde foi revelado o enorme impacto ambiental, destruição das florestas da Indonésia e sua relação com o aquecimento global. Então resolvi iniciar uma pesquisa sobre os dados atuais. Na internet percebi uma certa defasagem nas informações. Mas intrigada ainda, resolvi continuar a busca para trazer dados atualizados.

    Restam no mundo três principais florestas tropicais extremamente importantes, a Amazônica, a Bacia do Congo na África e as florestas tropicais do Sudeste Asiático que abrangem a Indonésia.

Infelizmente milhares de hectares de florestas da Indonésia continuam sendo queimadas e destruídas para a plantação das palmeiras. Estas áreas de floresta tropical são os últimos habitats remanescentes de animais ameaçados como o tigre da Sumatra, o rinoceronte asiático e o orangotango. Em 2014 existiam cerca de 400 tigres-de-sumatra soltos na natureza e agora em 2016 existem menos de 300, se continuar nesse ritmo em 2022 a espécie estará extinta. Além disso vários indonésios estão sofrendo as consequências perdendo seus lares pelas queimadas e conflitos por terra.


Consequências atuais da produção do óleo de palma para o meio ambiente:

    Além do desmatamento e da extinção de espécies, um terrível legado é o enorme impacto que a derrubada da floresta e a plantação das palmeiras causa no nosso clima. Na Indonésia poe exemplo existe um tipo de solo chamado de Turfeiras, que segundo o greenpeace, armazenam cerca de 35 bilhões de toneladas de carbono. Com as queimadas e com a drenagem do solo para a plantação da palmeira, todo esse carbono que estava armazenado, acaba sendo liberado para a atmosfera, para se ter uma ideia do tamanho do estrago, isso equivale há 2 anos de emissão de carbono do planeta inteiro! Ou seja, a produção de óleo de palma contribui ativamente para o aquecimento global.

As turfeiras para quem não conhece, são um tipo de solo de origem vegetal, parcialmente decomposto, encontrado em camadas. Elas são sumidouros de carbono natural que as florestas armazenaram por milhares de anos, por isso, contém grandes reservas de gases de efeito estufa. 

Entre 2012 e 2014 aconteceu um grande manifesto mundial para pedir pela proteção das Florestas da Indonésia que é responsável por cerca de 80% da produção mundial do óleo de palma. As pressões caíram principalmente sobre grandes corporações como a Wilmar Internacional que é a maior produtora de óleo de palma do mundo e é responsável por mais de um terço do comércio global de óleo de palma.

Na época a corporação acabou cedendo à pressão feita pelo Greenpeace, por outras organizações e por um crescente movimento de consumidores ao redor do mundo que demandam por óleo de palma limpo e pelo fim da destruição das florestas e lançou na época uma política de não desmatamento. O compromisso assumido pela Wilmar, pelo não desmatamento, teria o potencial para transformar a controversa indústria da matéria-prima.

Mas na prática infelizmente não é isso que está acontecendo. E o tempo é curto. Só para ter uma idéia, em 2015 (não consegui dados mais recentes) quando as queimadas na Indonésia começaram, emitiu-se mais carbono diariamente ali do que a economia norte-americana inteira, segundo informou Farwiza Farhan, presidente de uma organização não-governamental na Sumatra, dedicada a proteger o meio ambiente. Isso são mais de 17 milhões de toneladas de Co2 liberados em um único dia! E outra coisa que também está acontecendo enquanto as lentes do mundo a respeito da produção do óleo de palma, estão voltadas para a Indonésia, é a exploração dessa produção para outros continentes. No Brasil, 39,4% das áreas de plantio de palma tiveram origem em florestas desmatadas.

Um novo estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Duke, nos EUA revelou que a futura perda de florestas para as plantações de óleo de palma será maior na África e na América do Sul, incluindo o Brasil.

Stuart Pimm, professor de Biologia da Conservação na Universidade de Duke e outro co-autor do estudo também alerta: "Isto significa que diferentes grupos de espécies estão em risco em diferentes regiões. Esse fato precisa ser incorporada ao planejamento de conservação em face da expansão das ameaças, como óleo de palma".

"A indústria de óleo de palma tem um legado de desmatamento e, hoje, a pressão dos consumidores está empurrando as empresas para com fontes livres de desmatamento de óleo de palma", disse Sharon Smith, da União de Cientistas, também uma das autoras do estudo. "Esta pesquisa nos ajuda a compreender onde concentrar sobre o uso de regulamentação governamental e intervenções no mercado de voluntários para moldar a expansão das plantações de óleo de palma de forma a proteger os ecossistemas ricos em biodiversidade e evitar o desmatamento".

Algumas corporações estão assumindo o compromisso de não trabalhar com o óleo de palma vindo das florestas da Indonésia. E asseguram que irão "limpar" suas cadeias de produção. Mas não adianta não compram o óleo de palma da Indonésia por exemplo mas compram do Brasil, ou da África aonde também estão sob ameaça as florestas tropicais e as espécies.


Consequências do óleo de palma para nossa saúde:

Nós como consumidores não sabemos muito disto. Porém, o nosso consumo diário de óleo de palma também tem efeitos negativos para a nossa saúde: o óleo de palma refinado contém grandes quantidades de ésteres de ácidos graxos, que podem interferir no patrimônio hereditário e causar câncer.


Contém o óleo de palma:

Este produto está presente em quase tudo que consumimos, podemos encontrar o óleo de palma em cosméticos como shampoos, pastas de dente; alimentos industrializados como a margarina, chocolates, massas, cremes vegetais, sorvetes, frituras industriais, salgadinhos, batata palha, Nutella. Também encontramos em produtos de limpeza como detergentes e sabões e até em combustíveis como o biodiesel.


Essas são algumas das marcas que hoje usam óleo de palma:


A Nutella desde novembro de 2013  escolheu intensificar o comprometimento em relação ao aprovisionamento responsável de óleo de palma através do Estatuto Ferrero do Óleo de Palma, a fim de garantir posteriormente que o óleo do fruto da palmeira utilizado em Nutella® não contribua com deflorestamento, extinção de espécies, emissões elevadas de gases com efeito de estufa ou violações dos direitos humanos. E em 17 de novembro de 2015, tornaram-se membros do Palm Oil Innovation Group (POIG), uma iniciativa para reformar a indústria de óleo de palma, com base nas normas e compromissos da RSPO.

A Nestlé diz que desde 2010 parou de utilizar a matéria prima vinda da Indonésia. Mas não conseguimos confirmar a origem do óleo de palma utilizado atualmente pela empresa.

A Pepsico tem afirmado repetidamente que que está absolutamente comprometida em usar óleo de palma 100% sustentável desde 2015 e com desmatamento zero em suas atividades e cadeia de negócios”, disse a empresa em um comunicado. Mas ainda assim após a fabricante de bebidas e alimentos ter assumido um compromisso de melhorar as suas políticas de óleo de palma, os planos da empresa não estão sendo cumpridos. A PepsiCo precisa fortalecer os seus planos e clarificar o escopo de suas práticas, impondo uma verificação independente de fornecedores e promovendo a total rastreabilidade para garantir que as matérias-primas, de fato, vêm de fontes sustentáveis. A empresa fez o seu compromisso através da Roundtable for Sustainable Palm Oil, uma organização sem fins lucrativos que fornece certificações de óleo de palma. Apesar do grupo trabalhar pela elevação da necessária conscientização sobre a indústria de óleo de palma, a sua eficácia tem sido debatida, e prestação de contas continua nas mãos das empresas.

“As florestas tropicais em todo o Sudeste da Ásia são destruídos todos os dias para dar lugar a enormes plantações de óleo de palma”, disse a diretora de campanhas da SumOfUs, Kaytee Riek, em um comunicado. “Dado o grande alcance da campanha do Doritos Super Bowl, estamos usando a oportunidade para educar os consumidores ao redor do mundo sobre políticas irresponsáveis de fornecimento de óleo de palma da PepsiCo”.

Estas dicas simples ajudam a encontrar, evitar e combater o óleo de palma:

Infelizmente é um grande desafio simplesmente parar de consumir tudo que contém óleo de palma mas nós temos o poder da mudança.

  1. Cozinhe e decida: ingredientes frescos, misturados com um pouco de criatividade, fazem empalidecer qualquer refeição pronta (que contenha óleo de palma). Para substituir o óleo de palma industrial, podem-se utilizar outros óleos como de coco, oliva, girassol, de milho (não modificado geneticamente!) ou – se você conhece a origem – óleo de dendê artesanal.
  2. Leia o rótulo: Escolha não comprar produtos que contenham óleo de palma (na embalagem consta: óleo vegetal, provavelmente pode ser óleo de palma. Questione que óleo vegetal é e qual a origem.
  3. O consumidor é rei: Podemos exigir a inclusão da palavra "contém óleo de palma" em todos os produtos que a contenha. Na União Europeia, as embalagens de alimentos têm que indicar desde Dezembro de 2014 se o produto contém óleo de palma. Em produtos cosméticos e detergentes esconde-se um grande número de termos químicos. Com um pouco de pesquisa na Internet, podem-se encontrar alternativas sem óleo de palma.
  4. Petições e perguntas a políticos: Podemos mobilizar protestos on-line que exercem pressão sobre os políticos responsáveis por importações de óleo de palma. Crie e assine petições: Salve a Selva
  5. Levante a sua voz: manifestações e ações criativas na rua tornam o protesto visível para a população e a mídia. Assim, a pressão sobre decisores políticos ainda cresce. Peça para as marcas que você usa no dia a dia para que protejam as florestas.
  6. Transporte público em vez de carro: se possível, ande a pé, de bicicleta ou use o transporte público.
  7. Passe os seus conhecimentos: a indústria e a política querem fazer-nos crer que o biodiesel seja compatível com o ambiente e que plantações de dendezeiros industriais possam ser sustentáveis. Salveaselva.org informa sobre as consequências do cultivo de dendezeiros.
  8. Questione: Quais produtos sem óleo de palma são oferecidos? Por que não se utilizam óleos domésticos? Perguntas ao pessoal de vendas, posts nas redes sociais, e-mails e telefonemas ao produtores exercem pressão sobre as empresas. Esta pressão e a sensibilização crescente da opinião pública já fizeram com que alguns produtores renunciassem o uso de óleo de palma nos próprios produtos.
  9. Escolha: Vamos optar por marcas que assumiram o compromisso de não usar o óleo de palma principalmente da Indonésia, como matéria prima dos seus produtos. Busque outras alternativas que possam ser melhor para sua saúde e para o meio ambiente. Evite comidas "Fast food" e a industria fast food em geral pois são grandes consumidores de óleo de palma.
  10. Compartilhe essa informação! A indústria e a política querem fazer-nos crer que o biodiesel seja compatível com o ambiente e que plantações de dendezeiros industriais possam ser sustentáveis. 


Conclusão:

Como podemos observar infelizmente esses compromissos assumidos pelas grandes corporações não são suficientes e confiáveis a ponto de tranquilizar e não questionar ou buscar evitar produtos e marcas que utilizem o óleo de palma. Acreditamos que ainda o melhor caminho é evitar, questionar e combater. Pois de acordo com algumas pesquisas, a demanda pelo óleo de palma dobrou na última década, e deve dobrar novamente até 2020.

Fontes de Pesquisa:

http://www.greenpeace.org/brasil/pt/Noticias/Oleo-de-palma-sem-desmatamento-Wilmar-cede-a-pressao-e-anuncia-nova-politica/

http://www.greenpeace.org/brasil/pt/Blog/o-leo-de-palma-no-seu-dia-a-dia/blog/48265/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Turfa

http://www.isfoundation.com/pt-br/news/diga-n%C3%A3o-ao-%C3%B3leo-de-palma

https://www.salveaselva.org/temas/oleo-de-palma#start

http://www.nossofuturoroubado.com.br/portal/oleo-de-palma-o-ingrediente-oculto-que-causa-um-desastre-ecologico/

http://www.ecycle.com.br/component/content/article/67/2659-oleo-vegetal-palma-que-e-para-serve-onde-comprar-puro-uso-hidratacao-pele-cabelo-saude-beneficios-propriedades-fazer-sabao-cosmeticos-cremes-quimica-nociva-parabenos-extracao.html

http://www.anda.jor.br/28/03/2016/caca-leva-tigres-de-sumatra-a-iminencia-de-extincao-na-indonesia

http://g1.globo.com/natureza/blog/nova-etica-social/post/novo-filme-de-leonardo-dicaprio-adota-tom-mais-pessimista-sobre-mudancas-climaticas.html

http://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0159668

https://www.youtube.com/watch?v=qGWviMkUhXc

http://www.aquecimento.cnpm.embrapa.br/conteudo/historico_aq_paises.htm

http://conexaoplaneta.com.br/blog/florestas-tropicais-de-20-paises-estao-ameacadas-pela-producao-do-oleo-de-palma-o-brasil-entre-eles/

Voltar